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A REALIDADE

Page history last edited by Zinara Mistrello 2 years, 9 months ago

 

Há três anos escolhi trabalhar na Escola Municipal Chapéu do Sol situada na zona sul de Porto Alegre. Dentro da classificação que a Secretaria Municipal de Educação (SMED) utiliza para definir o tamanho, a escola é considerada Grande, atendendo cerca de 1.200 alunos no Ensino Fundamental, nos três turnos. O grupo docente é composto por 65 professores.

A SMED garante para a escola duas estagiárias de integração para atendimento individual especializado, totalizando 80 horas semanais. Por enquanto só contamos com uma. É estagiária de pedagogia, uma vez que não existe mais formação em Educação Especial.

Temos em média 60 alunos de inclusão, egressos de casa ou de escolas especiais. Em outros tempos esses alunos estariam sendo atendidos em clínicas.

Os casos mais graves são assistidos pela Sala de Integração e Recursos (SIR), por uma educadora especial, durante uma hora, duas vezes na semana. A escola possui 12 vagas desse tipo e como o atendimento é realizado em outro bairro, a criança e o responsável recebem vales-transporte para o deslocamento.

Uma outra questão que diz respeito à realidade é que existe um parecer que estabelece um limite de 20 alunos para turmas com alunos de inclusão. A ressalva é que a própria Secretaria de Educação, muitas vezes não respeita esse parecer.

Por fim, gostaria de trazer uma outra discussão. As famílias que têm filhos portadores de síndrome de down, por exemplo, e recebem benefícios do governo, só continuarão recebendo se tiverem seus filhos matriculados na escola regular.

Na semana passada a escola recebeu um aluno com 12 anos, não alfabetizado, pois nunca freqüentou a escola, para iniciar o processo de adaptação à sala de aula. A família só trouxe o aluno porque o benefício seria suspenso. Ou seja, as famílias, por sua vez, negam as “necessidades especiais” de seus filhos, “escondendo-os” da escola, da sociedade e da vida.

Esse véu mascara a realidade de muitos casos em que os alunos portadores de necessidades educacionais especiais poderiam estar inclusos na escola regular.

 

Comments (1)

Simone Ramminger said

at 9:10 pm on Apr 30, 2009

Zinara apresentaste alguns dados da escola em que trabalhas, bem como os alunos com necessidades especiais que vocês atendem. Que por sinal são muitos! Sabes quais são os tipos de deficiências que esses alunos apresentam? Quantos alunos, em média, por sala, vocês têm? Hoje, tens algum desses alunos na tua sala de aula?
Podes indicar ainda no texto, as condições sócio-econômicas das famílias, características da comunidade escolar, participação na escola... Os casos desses alunos com necessidades especiais são discutidos nas reuniões de formação e planejamento da tua escola?
Precisas ainda elaborar um comentário que integre a realidade descrita e os pontos centrais que identificas nos textos lidos. Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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